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domingo, 8 de dezembro de 2013

A Oportunidade


Em todas as direções do planeta, observamos o homem do mundo perseguindo as oportunidades. De modo geral, todavia, as criaturas humanas não procuram senão a oportunidade de uma situação de evidência transitória na Terra. Encontram-se apressados os que buscam as grandes ocasiões do dinheiro, dos títulos convencionais, das situações de destaque, dos desejos satisfeitos, sob o ponto de vista planetário, os homens, identificados no mesmo ideal mundano, abraçam-se, na comunhão do interesse, nesses encontros fortuitos. Os demais saudam-se ligeiramente, em atitude suspeitosa, temendo a alheia intromissão nos seus inferiores desígnios. Essa, a estrada comum da vida sobre a Terra.

E os que passam contemplando o céu ou meditando na sabedoria da Inteligência Suprema que lhes facultou as belezas e utilidades do caminho, para os seus semelhantes inquietos não serão criaturas de seu tempo. O homem vulgar, todavia, ainda não se capacitou de que essa corrida apressada não é mais que uma oportunidade para morrer. Morrer, segundo a carne e segundo o espírito também, porque as realizações materiais, quando não acompanhadas de dualidade edificante, no plano definitivo da alma, podem conduzir aos débitos mais escabrosos, em séculos de regeneração pungente e amarga.

Nessa movimentação desordenada das criaturas, muitas vezes, faz-se mister lançar mão de sagrados patrimônios da consciência, sufocam-se as tendências mais nobres, espezinham­os melhores sentimentos. Faltam a esses lutadores inquietos os valores legítimos da iluminação interior e é por isso que, frequentemente, vemos o político elevar-se para atender à maquinaria da destruição, formar-se o sacerdote para a defesa de vãos interesses, eleger-se o jurista para desviar o direito ou preparar-se o médico para confundir o problema da saúde.

Quase todas as criaturas marcham ansiosas, na valorização da oportunidade falsa, e chegam esgotadas ao término da luta, esbarrando na realidade da morte, desprevinidas e infelizes. E' que o homem ainda não quis compreender que a maior oportunidade não poderia sair da indigência de nossas mãos. Somos espíritos imperfeitos e não poderíamos criar a oportunidade perfeita para a felicidade real. Só a sabedoria e a magnanimidade de Deus podem conceder às nossas almas esse ensejo divino. E essa oportunidade sagrada é a da Vida. O berço mais pobre e o corpo mais deformado constituem essa concessão da Infinita Misericórdia.
Representam a porta consoladora, por onde o espírito humano regressa à valorosa oficina de trabalhos que é a Terra. E somente quando a criatura sabe apreciar a extensão desse ensejo, lendo a cartilha do esforço próprio, nas sendas mais penosas da regeneração ou do aprendizado, terá descoberto a sua oportunidade definitiva de glorificação e paz, porquanto, não mais estará edificando sobre a areia das convenções do mundo, das pretensões científicas ou das galerias do falso conhecimento, mas sim, na base imortal do sentimento e da justa razão.

Dentro dessas observações, devemos considerar que a mais elevada oportunidade de um homem é a sua própria existência e a vantagem real dessa bênção reside na iluminação definitiva do espírito.
O Mestre é Jesus.
A Escola é a Terra.
O Bem é o trabalho que aperfeiçoa.
O Adversário é tudo o que afaste a energia do serviço real com o Cristo.
Em vista dessas verdades, que discípulo ponha mãos à obra de sua purificação e ninguém espere um céu que não edificou em si mesmo.

Emmanuel

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O HOMEM ANTE A VIDA



No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o
homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e
acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração.
Quem somos?
Donde viemos?
Onde a estação de nossos destinos?
À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos
mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma
enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do seu, qual braseiro vivo do
ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto.
Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha.
Reconhece a estreiteza do círculo em que respira.
Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve.
Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume
de 1.300.000 vezes maior que o dela.
Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000
quilômetros do mundo que lhe serve de berço.
Os Planetas vizinhos evolucionam muito longe, no espaço imenso.
Dentre eles, destaca-se Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na
época de sua maior aproximação.
Alongando as perquirições, além do nosso Sol, analisa outros centros de vida.
Sírius ofusca-lhe a grandeza.
Pólux, a imponente estrela do Gêmea, eclipsa-o em majestade.
Capela é 5.800 vezes maior.
Antares apresenta volume superior.
Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao do Sol.
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Deslumbrado, apercebe-se de que não existe vácuo, de que a vida é patrimônio de gota
dágua, tanto quanto é a essência dos incomensuráveis sistemas siderais, e, assombrado
ante o esplendor do Universo, o homem que empreende a laboriosa tarefa do
descobrimento de si mesmo volta-se para o chão a que se imanta e pede ao amor que
responda à soberania cósmica, dentro da mesma nota de grandeza, todavia, o amor no
ambiente em que ele vive é ainda qual milagrosa em tenro desabrochar.
Confinado ao reduzido agrupamento consangüínea a que se ajusta ou compondo a
equipe de interesses passageiros a que provisoriamente se enquadra, sofre a inquietação
do ciúme, da cobiça, do egoísmo, da dor. Não sabe dar sem receber, não consegue
ajudar sem reclamar e, criando o choque da exigência pra os outros, recolhe dos outros
os choques sempre renovados da incompreensão e da discórdia, com raras
possibilidades de auxiliar e auxiliar-se.
Viu a Majestade Divina nos Céus e identifica em si mesmo a pobreza infinita da Terra.
Tem o cérebro inflamado de glória e o coração invadido de sombra.
Orgulha-se, ante os espetáculos magnificentes do Alto e padece a miséria de baixo.
Deseja comunicar aos outros quanto apreendeu e sentiu na contemplação da vida
ilimitada, mas não encontra ouvidos que o entendam.
Repara que o Amor, na Terra, é ainda a alegria dos oásis fechados.
E, partindo os elos que o prendem à estreita família do mundo, o homem que desperta,
para a grandeza da Criação, perambula na Terra, à maneira do viajante incompreendido e
desajustado, peregrino sem pátria e sem lar, a sentir-se grão infinitesimal de poeira nos
Domínios Celestiais.
Nesse homem, porém, alarga-se a acústica da alma e, embora os sofrimentos que o
afligem, é sobre ele que as Inteligências Superiores estão edificando os fundamentos
espirituais de Nossa Humanidade.

Francisco Xavier (